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CARTA ABERTA - SOBRE AS PROVAS DO ENS. MÉDIO

(SINEPE-CE em 08/06/2021)

Fortaleza, 08 de junho de 2021.


PRECISAMOS FALAR SOBRE AS PROVAS DO ENSINO MÉDIO

A escola funciona a partir da avaliação. Ensino, aprendizagem e avaliação se retroalimentam continuamente. No plano positivo, as questões erradas levam o aluno a focar seus esforços e o professor a refinar seu trabalho, ambos buscando novas estratégias sempre que necessário. Na pior das hipóteses o medo da não aprovação ao final do ano leva os alunos a estudarem mais.

Desde o início da pandemia as escolas fizeram funcionar o ensino digital e seguiram buscando formas cada vez mais robustas de avaliar alunos em suas casas. Mas é chegada a hora de sermos explícitos. A avaliação digital não está funcionando. Pelo menos não para a maioria dos alunos. Isso ficou ainda mais evidente quando o INEP divulgou que em 2020 o número de alunos aprovados no Ensino Médio cresceu 10%. De certo este crescimento não foi resultado de uma melhoria da escola brasileiro em meio à pandemia. São as debilidades da avaliação digital que explicam tal “ganho”.

Há uma parcela de alunos mais maduros que entendeu, talvez décadas antes dos seus pares, que a cola (ou pesca, ou plágio) prejudica principalmente quem a pratica. Infelizmente, a maioria dos alunos vê na prova digital, realizada no conforto do lar, uma oportunidade para tirar notas boas e passar de ano sem estudar. São frequentes os relatos de alunos fazendo prova sem saber sequer qual o conteúdo cobrado. “Basta esperar o gabarito chegar pelo Discord para preencher o questionário”, dizem eles. O problema é ainda mais sério porque há famílias que pagam professor particular para fazer prova no lugar do aluno.

As escolas têm lutado em silêncio. Ninguém gosta de admitir o insucesso. Entre as estratégias utilizadas estão a randomização de itens, o uso de questões abertas, a exigência de que a prova seja realizada com a câmera aberta e até mesmo a avaliação individual síncrona. Certamente as escolas teriam investido ainda mais se desconfiassem que o Ensino Médio ficaria impedido de ter aulas e avaliações presenciais por quase 500 dias. [As aulas presenciais foram suspensas em 18/03/2020. Em 02/08/2021 completaremos 502 dias de aulas e avaliações digitais.]

Sem avaliações criteriosas, o aluno perde o referencial e também boa parte do estímulo para estudar. Os prejuízos de quase dois anos letivos nesse vácuo são tristemente fáceis de prever: as vagas disputadas pelo ENEM nas universidades públicas irão para candidatos de estados vizinhos (Piauí e Pernambuco liberaram aulas do Ensino Médio no início de abril, Rio Grande do Norte e Paraíba liberaram no início de maio), os professores da graduação receberão alunos desacostumados a se esforçar para aprender, as empresas terão dificuldade de contratar cearenses prontos para enfrentar a competição globalizada.

Pedimos então que o Governo do Estado do Ceará permita aulas e avaliações presenciais para os alunos do Ensino Médio. Os alunos e famílias que preferirem continuar em casa poderão fazê-lo. Mas a escola estará assim reestabelecendo um compromisso com a verdade e o rigor acadêmico para a maioria dos alunos. Voltaremos a saber o que foi aprendido adequadamente e poderíamos planejar melhor o trabalho do 2º semestre de 2021. O tempo urge. O futuro do Ceará está em jogo.


Prof. AIRTON DE ALMEIDA OLIVEIRA
Presidente


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